Análise da Trilogia o Senhor dos Anéis

 

amigos Somente hoje (27/04/15) terminei de assistir a trilogia “O Senhor dos Anéis”, quase 15 anos depois do lançamento da série. Eu tenho esta “mania” de muitas vezes não assistir o que está muito na moda; um pouco também da minha desconfiança para com esta trilogia: não seria mais um filme sobre magia, levando as pessoas ao erro? Eu não perderia o meu tempo com isso. No entanto, foi muito da minha ignorância. Ignorância antes de mais nada quanto ao autor dos livros que baseiam os filmes:  J. R.R. Tolkien.

Tolkien foi um escritor convertido ao catolicismo. Seus escritos estão plenos de pontos de nossa fé católica, ainda que sob o manto da imaginação de uma história épica e irreal em um reino inexistente.  (Para saber mais sobre ele, recomendo esta leitura: http://martimvasques.blogspot.com.br/2015/01/elegia-para-o-fim-de-um-mundo.html#comment-form).

A interpretação que segue é baseada na ideia de tipologia, tão presente na Bíblia (ex.: Jesus vê na serpente de bronze  um tipo de sua crucificação (cf. Jo 3, 14), que vejo aqui na obra de Tolkien. Baseado nisto, vamos a alguns pontos com tipologia cristã nesta trilogia:

– nesta trilogia o ser humano está à caminho, passando por situações perigosas;

– não há relativismo em sua obra, ou seja, existe a verdade. Há a força do mal que, no entanto, não é a última palavra no mundo.

– diante da beleza do plano de Deus para a humanidade, todo convertido parece que questionar, ante a situação do mundo: “como nós chegamos a este ponto?”

-mesmo no momento da grande batalha, onde as forças do mal se aglutinam e inspiram medo, a esperança não morre e é a força que conduz os homens;

– o mal, que forjou o anel, – Sauron – representa claramente o demônio, que busca destruir os homens em um Armageddon final (cf. Apoc 16,12ss) ; para isso, usa do seu “anticristo” – Mordor (I Jo 2,18);

– o anel, tentação constante para os homens, mostra o quanto “um coração humano é facilmente seduzido”; daí a nos livrarmos de tudo o que nos pode levar a cair (cf Mt 5,29ss)

– mas, como é difícil se livrar do “precioso”… Porém, não livrar-se do que é falsamente precioso em nossa vida pode ser nossa condenação.

– os dois amigos, que encontram inicialmente o anel, sendo que um mata o outro, parecem-me uma clara imagem de Caim e Abel; o assassinato leva a desfiguração da imagem da pessoa, tornando-a um ser horrível e refém de sua consciência, que lhe acusa e instiga (cf. Gen 4,7);

– o homem que leva consigo o “fardo” do mal ( o anel) não consegue dormir;

– os homens, as vítimas primeiras do mal, que tendem a ser destruídos, têm dificuldade de se unirem para o combate; a divisão sempre favorece o mal;

– os elfos, vindo em socorro aos homens, lembram os anjos, que lutam em nosso favor;

– a nobreza e necessidade de liderança entre os homens é inevitável para vencer a batalha;

– até os mortos que  entram na luta, no último filme, podem ser vistos como as almas do purgatório, que se redimem auxiliando-nos no combate (não é dogma da Igreja a intercessão das almas do purgatório, mas é muito bem aceita pela sua tradição);

– são os pequenos (no caso os hobbits), que no fim levam o anel à destruição e são reconhecidos mesmo pela majestade. O que Jesus nos ensinou sobre as crianças? (cf Mt 5,5);

– por fim, quero destacar que nesta trilogia o bem e o mal estão muito bem apresentados em campos opostos. Algo bem diferente de diversas histórias modernas, como Harry Potter e Malévola, onde o bem e o mal praticamente se igualam e se misturam, criando um relativismo fatal.

Estes são apenas alguns pontos que pude perceber no filme. Se olhado com o olhar da fé, que deve sempre caracterizar nossa crítica cristã, o filme é bom e se presta a questionamentos salutares. Bem diferente de outros como a série Crepúsculo e Harry Potter. Estas últimas são terrivelmente prejudiciais, principalmente às crianças e adolescentes.

Pe. Silvio, MIC

Para quem quiser se aprofundar no estudo desta triologia: https://instituteofcatholicculture.org/talk/truth-beyond-reality/

 

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