FINADOS: POR QUE REZAMOS PELOS MORTOS

FinadosA Igreja sempre rezou pelos falecidos. Já desde o seu início encontramos inscrições nas catacumbas, em túmulos dos cristãos, onde pessoas pedem orações pelos seus entes queridos. E o fazem pedindo a intercessão de São Pedro e São Paulo, que pouco antes haviam falecido. Orações como esta: “Paulo e Pedro, orai por Vitor”

A principal oração que desde o início os cristãos faziam pelos falecidos é a Santa Missa, que é o sacrifício de Cristo por nós. Aristides (ano 140 d.C.) dizia que “se chegar a morrer algum dos fiéis, saudai-o com a celebração da eucaristia e com a oração ao redor do seu cadáver”. São Cipriano (ano 258 d.C) refere-se à oferta do sacrifício eucarístico pelos defuntos como sendo praxe recebida de herança dos seus bispos antecessores.

Mas por que orar por eles?

Por que, como ensina-nos a Igreja, os falecidos que não estavam totalmente santificados na hora da morte passam por uma purificação antes de estarem definitivamente com Deus no céu. Se uma pessoa está em perfeita união com Deus neste mundo ela vai direto para o céu no momento da sua morte. Se alguém está em pecado grave e assim morre, ela pode se condenar pela eternidade (inferno), se não houve arrependimento. Mas quem está vivendo na graça de Deus, mas ainda de forma imperfeita, pode se salvar, mas terá que primeiramente passar por uma purificação (Purgatório).

Como dito, esta é uma tradição da Igreja, que possui de Jesus a promessa de ser guiada pelo Espírito Santo. A Igreja baseia-se também nos textos bíblicos para ensinar a realidade de uma purificação após a morte; e são diversos estes textos: II Mc 12,38-45; Mt 5, 25-26; Mt 12, 32 ; 1Cor 3, 10-17; 2 Tm 1,16ss; Ap 21, 27. Dentre estes, o texto que mais claramente fala da oração pelos mortos é II Macabeus 12,38-45.

Por que há a necessidade de purificação?

Como nos ensina a Bíblia, Deus é totalmente santo e nele não há nenhuma impureza. Para que possamos estar com Ele, contemplando Sua face, nós devemos ser libertados de tudo aquilo que nos mancha (Mt. 5,8. Apc. 21, 27). Mas a confissão dos pecados já não nos purifica? Sim, mas há algo mais. Quando nós cometemos um pecado e nos confessamos nós somos perdoados do pecado por Deus. Mas as consequências do pecado ficam em nós: apego ao pecado, (ex.: uma pessoa que peca por furto pode manter dentro de si o desejo de pegar o que é dos outros, ainda que não tenha a oportunidade). Há ainda a necessidade de reparação por cada pecado. Assim como quem rouba deve devolver o que roubou, todos os nossos pecados, depois de confessados, devem ser reparados. Nós podemos reparar os nossos pecados oferecendo sacrifícios a Deus (jejum, renúncias, oferecimento de sofrimentos, etc), ajudando os que necessitam (caridade) ou ganhando indulgências. Caso nós não façamos esta reparação aqui na terra, nós iremos fazê-la no Purgatório depois da morte. Isto quer dizer que a salvação é uma graça de Deus, mas, quis o próprio Deus, que devemos colaborar com ela, fazendo a nossa parte.

Mas por que os nossos irmãos separados, os protestantes, dizem que não devemos rezar pelos mortos?

Eles o fazem por ignorância. Como deixaram a Igreja, perderam toda a Tradição histórica da mesma. É como alguém que, ao abandonar sua família, perde os bons costumes familiares. Outro problema é que Martinho Lutero, o primeiro a deixar a Igreja, retirou 7 livros da Bíblia, entre eles o livro de Macabeus, que citamos acima, e que claramente fala do purgatório.

Além de terem perdido parte da Bíblia, os protestantes também a entendem erroneamente, em diversas passagens. Pensam, por exemplo, que os mortos estão dormindo. Segundo eles, quando a pessoa morre ela passa a um estado de sono, sem consciência, esperando até que venha o julgamento final. Ainda que o termo “sono” seja usado em alguns textos bíblicos, ele não tem este sentido. O primeiro julgamento, pessoal, é imediatamente após a morte. A partir daí a pessoa continua sendo consciente diante de Deus. Comprovando isso, a Bíblia nos mostra os mortos “acordados”, pois estão ora rezando, ora conversando com Deus, ora conversando entre eles (Cf. Mc 9,2ss; 12,27; II Cor 5,8; Lc 16,19ss;23,43; I Pd 3,19; Apoc 6,9; 8,3-4; Jer 15,1).

A palavra purgatório vem do latim “purgare”, que significa “tornar limpo”, purificar. Aqueles que desprezam a doutrina da Igreja Católica dizem que não existe esta palavra na Bíblia. A palavra como tal não se encontra (como muitas outras palavras, pois a Bíblia não é um dicionário), mas há muitas referências ao Purgatório, como vimos acima.

E a visão do espiritismo?

O Espiritismo tem uma visão totalmente contraditória com a fé cristã. Para o espiritismo os mortos reencarnam até se verem definitivamente livres dos seus corpos. A Bíblia deixa claro que a vida neste mundo é uma só (cf. Heb 9,27). Portanto, a reencarnação não existe, caso contrário Jesus teria morrido em vão para nos salvar, pois seriamos salvos por nós mesmos, nos reencarnando. Além disto, Os espíritas evocam (chamam para junto de si) os mortos, o que é proibido pela Bíblia (cf. I Sam 28,7ss). Nós podemos pedir a intercessão dos santos (que já estão certamente diante de Deus), mas não evocar mortos.

Qual a melhor forma de ajudar os falecidos?

Nós ajudamos os falecidos porque os amamos. Participamos da comunhão dos santos, de forma que a Igreja aqui na terra, no purgatório e no céu formam o único povo de Deus. Os santos já definitivamente salvos rezam por nós e nós, por nossa vez, rezamos pelos falecidos no Purgatório. A melhor forma de viver este amor é pela oração e, de modo especial, pelo Sacrifício da Santa Missa, por eles oferecidos. Além da Missa, podemos rezar a Oitava dos finados, que consiste em ir ao cemitério, de 1 a 8 de novembro e ali oferecer por eles a indulgência plenária (rezando pelas intenções do Santo Padre, o Papa).

Pe. Silvio R. Roberto, MIC

2 ideias sobre “FINADOS: POR QUE REZAMOS PELOS MORTOS

  1. Hebergement web

    As almas dos mortos podem ainda conhecer, por revelacoes do Espirito Santo alguns acontecimentos aqui da terra, cujo conhecimento lhes e necessario. Nao somente fatos passados ou presentes, mas ate futuros. E assim que os homens – nao todos – conheceram durante a sua vida mortal, nao a totalidade das coisas, mas aquelas que a providencia divina julgava bom lhes revelar.

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