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Comentário ao livro A Cabana

A cabanaHá muitos anos uma amiga pediu que eu lesse e desse minha opinião sobre o livro A Cabana. Como uma versão do livro chegou ao cinema e uma outra amiga também pediu minha opinião, achei interessante publicar o que escrevi anos atrás (esta crítica é em relação ao livro, não ao filme, que não assisti; no entanto, imagino que alguns dos pontos abaixo também estarão no filme).

O livro A Cabana é uma interessante estória simbólica da relação de um homem com Deus, refletindo este desejo do encontro que cada um de nós tem consigo mesmo e com Deus. Talvez o segredo do seu sucesso seja trazer Deus para tão perto, tão intimamente, ao mesmo tempo que sob uma forma surpreendente. Mas, sob o ponto de vista católico, ele tem alguns erros teológicos, ou seja, uma compreensão em alguns pontos errada do mistério de Deus e sua relação com o ser humano. São os seguintes pontos:

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Elias e Moisés já estavam no céu antes da ressurreição de Jesus?

arrebatamentoO Evangelho deste último domingo (Mt 17,1-9) gerou uma certa dúvida teológica em um amigo meu (e, creio em muitos outros por aí): neste texto bíblico, Jesus aparece conversando com Moisés e Elias. Ora, Jesus ainda não havia morrido e ressuscitado e Ele mesmo disse, em outro lugar, que “ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem” (João 3, 12). Como então Moisés e Elias falavam com ele, se não tinham ainda entrado no céu? Ou será que já tinham?

Ainda mais, sobre Elias e outro personagem bíblico, Henoc, o Texto Sagrado diz que eles foram arrebatados (Cf Gn 5,24; 2 Re 2,1ss). A pergunta então é, como entender o que Jesus disse que ninguém subiu aos céus, se estes dois foram arrebatados? Não teriam sido justamente arrebatados para o céu?

Vamos ainda nos lembrar de um outro ponto da fé bíblica, antes de dar uma resposta: a Bíblia fala do Xeol (Sheol) (cf Gn 42,35ss), uma espécie de “lugar” onde todos os mortos do AT estavam digamos, confinados. Antecipo a resposta dizendo que a Igreja não diz nada oficialmente sobre esta condição particular destes 3 personagens do AT, mas podemos entender que:

– Sim, antes da morte e ressurreição de Jesus, ninguém tinha entrado no céu. Isso porque o pecado, comum a todos os homens (Rm 5,12), não havia sido ainda tirado do mundo pelo Cordeiro de Deus. Ao dar sua vida por nós, Jesus destruiu a morte. Foi após sua morte que Jesus “desceu à mansão dos mortos” e levou as almas dos homens justos (que estavam no Xeol) para o céu (cf Ef 4,9; Catecismo nn. 632-635);

– Assim, o arrebatamento de Henoc e Elias pode indicar que eles receberam uma graça especial de Deus ao deixar este mundo, provavelmente não passando pelo mesmo tipo de morte natural que todos nós passamos. A presença de Elias e Moisés na transfiguração, falando com Jesus, pode indicar que algumas pessoas muito próximas de Deus no AT já tinham alguma especial visão de Deus e conhecimento em Deus do que viria a acontecer em nossa história humana. Mas não necessariamente que eles já tivessem entrado na glória do Pai, na qual os santos só entraram e entram depois que Jesus entrou. Assim, Moisés, Elias, Henoc e todos os demais justos esperavam por sua entrada no céu, para contemplar em definitivo a face de Deus.

É importante lembramos que Nossa Senhora, por ser a Mãe de Jesus, recebeu uma “singular” graça de Deus: ter sido concebida sem pecado (Imaculada) e, por isso, ao “terminar sua vida terrena” ela sim foi direto para o céu, em corpo e alma (enquanto que todos os demais santos que estão no céu esperam pela ressurreição de seus corpos quando Deus fizer o julgamento final da humanidade.

Para saber mais sobre o ensinamento da Igreja em relação à vida eterna, ressurreição e outros temas afins, sugiro a leitura do meu livro “Após a Morte há Vida”, que pode ser encontrado aqui: http://misericordia.org.br/loja/produto/pre-venda-autografada-apos-a-morte-ha-vida-pe-silvio-roberto/

Pe. Silvio Roberto, MIC

 

Uniões homossexuais são famílias?

same sexNesta quarta-feira, 08, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal deu mais um golpe contra a mais importante instituição da sociedade: a família. Esta Comissão do Senado votou pela mudança do conceito de entidade familiar até agora em vigor, ou seja, caracterizado pela ” união estável entre o homem e a mulher”. Para os senadores dessa comissão, a entidade familiar passa a ser a “união estável entre duas pessoas”. Na lei, onde se falava de “marido e mulher” passará a se falar apenas de “duas pessoas”.  Na prática, a união entre duas pessoas do mesmo sexo passará a ser reconhecida como uma família. Continue lendo

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Carnaval, uma reflexão espiritual

Oficialmente falando, o carnaval está no nosso calendário brasileiro somente na terça-feira e nem mesmo é um feriado obrigatório, mas ponto facultativo. Todavia, a realidade é bem outra. Já nesta sexta feira (4 dias antes!) o facebook mandava-nos avisos, dizendo que se iniciou “a maior festa do ano”, cujo fim também se prolonga além do oficial, adentrando no tempo da quaresma.

Não há consenso sobre o real significado da palavra carnaval. O sentido mais usado, e talvez o mais correto, seja de “despedida da carne”, uma referência ao tempo da quaresma que se aproxima. Também não se sabe bem onde e quando surgiu. Sabe-se, porém, que hoje o maior carnaval do mundo acontece no Brasil! Continue lendo

Jesus nasceu mesmo no dia 25/12?

child-jesusAinda crianças, ouvimos que o natal é no dia 25 de dezembro, data do nascimento de Cristo. Crescemos e logo ouvimos que não foi bem assim, que esta não é a data certa. Esta nova “descoberta”, que vem colocando dúvidas desde o século 17, foi tão bem divulgada que mesmo muitos padres acham que realmente a data é fictícia. Será?

O que segue é uma resenha que faço do ótimo livro God’s birthday ( aniversário de Deus) do teólogo e apologista americano Taylor Marshall, que expõe muito bem para nós esta questão.

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Ideologia de gênero: viva e atuante

genderDesde 2014 o termo “ideologia de gênero” passou a fazer parte do cotidiano dos brasileiros. Com a tentativa autoritária e dissimulada de engrenar esta ideologia nos Planos de educação dos diferentes níveis de nossa Federação – municipal, estadual e federal – os homens e mulheres de boa vontade desse país, os pais e mães, professores, religiosos, após um susto inicial, passaram a compreender a gravidade do problema. Uma grande mobilização foi feita, desde as pequenas cidades às metrópoles, nestes diferentes níveis administrativos e, quase na totalidade, esta ideologia foi expurgada de nossos Planos de educação.

Todavia, talvez estejamos novamente no momento de tomarmos outro susto: ainda que a resposta da população tenha sido inequívoca quanto à rejeição desta ideologia, seus propagadores não aceitam a derrota, Continue lendo

As torcidas organizadas e os direitos (e deveres) humanos

torcidaAs cenas já comuns de torcidas organizadas brigando em estádios, depredando o patrimônio público ou particular, desrespeitando a autoridade legitimamente constituída e, em alguns casos, até cometendo homicídio por meio do linchamento, ainda nos assustam e causam indignação. Tivemos mais uma esta semana, desta vez com a torcida do Corinthians. Mas é preciso um questionamento mais aprofundado sobre o porquê destes fatos. Continue lendo

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PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA NO BRASIL?

Uma amiga me enviou uma mensagem para me dizer que naquele exato momento – um domingo à noite – o programa do SBT fazia uma sátira maliciosa sobre sacerdotes e religiosas e me perguntou, indignada, se isso era permitido e não se poderia fazer nada. Coincidentemente, na mesma hora que ela me falava deste fato eu respondia em um blog a uma pessoa que acusava a nós cristãos de fundamentalismo e ataque às minorias, exaltando os supostos avanços propostos pelos esquerdisas na área da família (leia-se “casamento” gay) e educação (leia-se ideologia de gênero).

Claro que, na teoria, o que foi feito  no programa do SBT não é permitido, podendo talvez se configurar crime contra o sentimento religioso, como nos diz o Art. 208 do Código Penal: Continue lendo